Uma operação de fiscalização da Prefeitura do Rio de Janeiro revelou nesta terça-feira (15) um cenário estarrecedor em Santa Cruz, Zona Oeste da cidade. No local funcionava clandestinamente o “Lar Maria Lúcia”, uma espécie de asilo improvisado, sem alvará, onde 35 idosos viviam em condições degradantes, sem qualquer tipo de cuidado médico, assistência social ou dignidade.
O abrigo operava em uma propriedade rural na Estrada dos Palmares. A inspeção, conduzida por equipes da Secretaria Municipal de Assistência Social, da Vigilância Sanitária e da Guarda Municipal, flagrou idosos amarrados a cadeiras ou camas, desnutridos, com ferimentos visíveis e em sofrimento extremo. Muitos estavam com grau avançado de dependência, sequelas de AVC, deficiência visual e transtornos mentais, completamente abandonados.
Seis idosos precisaram ser socorridos pelo Samu e encaminhados para hospitais da região, entre eles uma idosa com fêmur fraturado e outra em estado de desnutrição cadavérica. O imóvel, segundo laudo da Vigilância Sanitária, não tinha condições mínimas de higiene e apresentava risco à integridade física dos residentes. Nenhum profissional da saúde ou cuidador habilitado foi identificado no local.
A prefeitura informou que todos os idosos foram retirados da unidade e levados para abrigos públicos ou instituições conveniadas, onde recebem cuidados médicos, psicológicos e apoio social. O caso foi encaminhado à Delegacia Especial de Atendimento à Pessoa da Terceira Idade (DEAPTI), que instaurou inquérito para apurar responsabilidades e garantir punição aos responsáveis.
A ação integra o programa municipal “Direito da Pessoa Idosa”, criado para intensificar a fiscalização em lares que atuam de forma irregular e combater crimes de negligência, abandono e maus-tratos. O município reforça o apelo para que a população denuncie situações suspeitas.
Fontes: Secretaria Municipal de Assistência Social do Rio, TV Globo
